Na doença crónica, além da dor,
ansiedade, depressão, podem surgir também dificuldades psicossociais.
A nível psicológico temos de nos
adaptar e ajustar à doença. A nível social, temos de reajustar as atividades,
os tempos livres e também os relacionamentos pessoais.
Quando se adoece deparamo-nos com
duas batalhas de desconhecimento. O nosso e o dos outros. O nosso, vamos mitigando
através da adaptação. Vamos interiorizando com aquilo que aprendemos com a
experiência pessoal e dos profissionais de saúde. O desconhecimento dos outros
não é controlável por nós, não têm o nosso problema e não sentem o que nós
sentimos.
Por vezes, a nível social, temos
dificuldade em fazer o que os outros fazem. Tendemos a projetar as nossas
expectativas no outro. Deste modo, idealizamos e antecipamos uma reação para
cada situação. Quando, por qualquer motivo, as situações não acontecem conforme
as idealizamos, sentimo-nos frustrados. Temos dificuldade em entender a
unicidade e imprevisibilidade de cada um. Porque somos seres distintos uns dos
outros.
Neste desengano corremos o risco
de julgar e ser julgados.
Na história, “O Principezinho” de
Saint Exupéry, o príncipe procurava cativar amizades. O critério de ser-se
único no mundo, significava que nenhum "laço" era igual ao outro. Para
fazer amigos teria de conhecer muitas coisas.
Ser paciente e a cada dia sentir-se mais perto, mais feliz, preparar o
coração, encetar rituais. O principezinho visitou vários planetas. Num deles,
ao atravessar o deserto, encontrou apenas uma flor. Ao perguntar-lhe onde
estavam os homens, a formosa respondeu que só existiam seis ou sete.
Avistara-os há uns anos, mas era-lhe difícil saber onde se encontravam, pois
não tinham raízes e o vento empurrava-os de um lado para o outro. Esta foi a
resposta da flor, pois tinha avistado o passar de uma caravana. Foi aquilo que
presenciou. O conhecimento de quem está fixado num sítio e só vê o que os olhos
alcançam. A sua realidade.
Na maioria das vezes, os outros
desconhecem a nossa condição de doente. Cada um vive consoante aquilo que
apreende e sente.
Por vezes, as pessoas não prestam
atenção a novas verdades. Porque andam distraídas. Porque estão muito focadas
nas suas vidas. Porque têm medo.
Para conhecermos o outro, temos de ir às nossas fronteiras. Sair da
nossa zona de conforto.
João dos Santos (1913-1987),
psiquiatra e criador da moderna saúde mental infantil em Portugal, considerava
que “ninguém ensina nada a ninguém, as pessoas é que aprendem”. E o problema, é
que as pessoas só aprendem o que estão
preparadas para aprender.
A inteligência ou a afetividade,
qual delas tem mais peso? Há pessoas mais racionais e outras mais afetivas. Mas
a afetividade é o motor da inteligência. Até Piaget (1896-1980), epistemólogo
suíço, um dos maiores estudiosos das origens da cognição o admitiu.
E, às vezes, as emoções são como
a “sujidade nas lentes”. Estamos próximos afetivamente e isso poderá
impedir-nos de racionalmente “vermos” a realidade dos outros.
Somos responsáveis pelo tempo de
afeto, de dedicação, de compaixão, mas também de racionalização e compreensão.
No decurso da vida, podemos
aprender por experiência pessoal ou através do exemplo das pessoas com quem nos
“cruzamos”. Então, devemos “agarrar” tudo o que os outros nos transmitem e com
isso podemos crescer e amadurecer intelectual e emocionalmente.
Tudo pode fazer sentido - depende da forma como vês.
Por: Maria Aires e Sofia Moreira
Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama
pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se
torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da
Qualidade de Vida.
Consultório:
Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87,
Lisboa
Contatos: 916088364 / 962657422