quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O Pirata




Nas fases em que nos sentimos pior ou descompensamos ficamos em sofrimento.

Quando estamos internados, pode ser ainda mais difícil. Deitados numa cama de Hospital, vestidos com uma bata ou com um pijama que nos fica grande, correndo o risco de deixar cair as calças quando vamos à casa de banho! Seria cómico se não fosse dramático. 

Há uma palavra que agrega honestidade, correção, justiça, direitos humanos, ética, cidadania, a palavra DIGNIDADE. A dignidade da pessoa humana é um valor moral característico à própria pessoa. Estar assim doente, é indigno. A doença é indigna.


Gosto de viajar, conhecer cidades, as suas histórias, a sua mística. Quando estive em Hamburgo, fiquei curioso e explorei a história de um Pirata, Klaus Störtebecker que vivia na zona do Elba.

Em 1390, a Liga Hanseática tinha o domínio mercantil sobre o Atlântico Norte e o Mar Báltico. Aos artesãos e agricultores eram exigidos impostos e os capitães hanseáticos castigavam quem não cumpria. Klaus Störtebecker reuniu um grupo de homens com o intuito de cessar com esta imposição. Assaltavam os barcos carregados de bens e distribuíam os produtos pelas populações ribeirinhas do Elba e pelas Costas do Báltico. Estes Piratas constituíam uma adversidade para a Liga Hanseática e eram conhecidos como os Irmãos Vitais. Os pobres viam a sua chegada como uma bênção.


Em consequência, a Liga fixou um preço à cabeça de Klaus Störtebecker. Oficiais alemães, suecos e dinamarqueses impulsionaram-se na sua captura mas este conhecia todos os segredos do Elba e conseguiu resistir até ao ano de 1400.


Nesse ano, num amanhecer primaveril, foi anunciada a sentença. Morte por decapitação para o Pirata e uma centena de companheiros. Esta seria na Ponte do Diabo onde estava toda a população da cidade a presenciar. A primeira vítima seria um marinheiro raso pois fazia parte do castigo de Störtebecker assistir à morte dos seus colegas. Então, este clamou para ser o primeiro, de pé. Pediu que por quantos passos desse, depois de decapitado, quantos marinheiros seriam salvos. A proposta foi aceite…e a cabeça do Pirata caiu sobre as pranchas da ponte. Perante todos o decapitado deu doze passos antes de cair. 


Esta é a história de um indivíduo que, seiscentos anos depois, ainda vive na memória de todos em Hamburgo. Um homem impetuoso, de barba vermelha - O Pirata do Elba.


Luís Sepúlveda, escritor Chileno, conta esta história, entre outras, no seu livro “As Rosas de Atacama”. Para ele, é a prova da importância da coragem e da dignidade durante o percurso breve e frágil da vida.


É imperativo dar mais importância às atividades significativas para nós. Melhorar o sentimento de valorização pessoal. Reformar e aperfeiçoar o significado das nossas vidas.


É importante ter coragem. E ser corajoso é suportar as derrotas sem perder o ânimo.


Devemos voltar à vida do dia a dia, após os períodos de crise. Não podemos isolar-nos da realidade. Acontecimentos bons e maus ocorrem a todas as pessoas. São individuais, quotidianos e universais.

Acontecem-nos situações “más” mesmo que não queiramos nada que aconteçam. Mas em todos os momentos podemos sempre ser dignos.

Por vezes, vivemos certas situações… para podermos vencer todos os obstáculos!
  
Por: Maria Aires e Sofia Moreira

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