segunda-feira, 21 de agosto de 2017

"São Minhas"




Tomar consciência que adoecemos, um pedaço de maldição ou uma bênção?

Interfere seguramente na nossa forma de ser, estar e encarar a vida.

Ricardo tem uma doença crónica diagnosticada à relativamente pouco tempo. Um dos seus amigos regressa a Portugal após uma viagem pelo mundo. Ambos têm uma conversa em que falam um pouco sobre os pensamentos traumáticos de Ricardo. O seu amigo, consequência provável de uma experiência de vida multi-cultural, sugere-lhe que recorra a um Xamã, na expectativa de ajudá-lo a não sofrer tanto. Com a morada na mão resiste à ideia durante algum tempo mas acaba por ir.

Naquela casa era notória a vivência espiritual, com uma pitada de arte divinatória e curandeira. Num momento de êxtase e quase semelhante a um contexto sobrenatural, o Xamã questiona-o:

Xamã - Queres libertar essas memórias que te causam sofrimento e dor?
Ricardo - Não sei. Aquilo que me aconteceu, não vai deixar de existir.
Xamã - Não, não posso apagar o que aconteceu na realidade, mas posso apagar essas memórias.
Ricardo – Para quê?
Xamã - Se te livrares dessas memórias não achas que viverás mais feliz?
Ricardo - Não.
Xamã - Não?

Nesse momento refletiu. Dentro dele e apesar dessa dura pena de ter uma doença crónica sentiu que as vivências, as memórias, a dor, fazem parte da sua estória, do que é hoje, da sua individualidade. Recordam-lhe, a cada manhã, que tem conseguido contornar momentos difíceis. Reforça a sua capacidade de lutar, para manter uma vida comum e a sua atitude positiva é fundamental para relativizar o "resto". Fez uma catarse, "não quero desprender-me destas memórias".

Ricardo - Eu preciso das memórias da doença, todas. Fazem lembrar-me de que afinal, sou forte, perseverante, lutador e positivo. Dão significado à minha vida. São a minha estória.
Xamã – Mas, também, são compostas de tristeza e lembram sofrimento.

Ricardo - MAS SÃO MINHAS!

Há, segundos prolongados que nos remetem à integração forçada de acontecimentos involuntários. Uma eternidade que nos traz à memória sentimentos de ansiedade, medo, angústia, desnorte emocional e físico. 

Esta tomada de consciência recorda-nos o que nos marca e marcou emocionalmente.

O nosso estado de alma que se abala mas, também se renova.


                 Fotografia: Lagoa do Fogo|S. Miguel| Açores


 Por: Maria Aires e Sofia Moreira

Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
   
Consultório: Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87, Lisboa
 
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