Tomar consciência que adoecemos, um pedaço de maldição ou uma
bênção?
Interfere
seguramente na nossa forma de ser, estar e encarar a vida.
Ricardo tem uma doença crónica diagnosticada à
relativamente pouco tempo. Um dos seus amigos regressa a Portugal após uma viagem pelo
mundo. Ambos têm uma conversa em que falam um pouco sobre os pensamentos
traumáticos de Ricardo. O seu amigo, consequência
provável de uma experiência de vida multi-cultural, sugere-lhe que recorra a um
Xamã, na expectativa de ajudá-lo a não sofrer tanto. Com a morada na mão resiste à ideia durante algum tempo
mas acaba por ir.
Naquela casa era notória a vivência espiritual, com uma pitada de arte divinatória e curandeira. Num momento de êxtase e quase semelhante a um contexto sobrenatural, o Xamã questiona-o:
Naquela casa era notória a vivência espiritual, com uma pitada de arte divinatória e curandeira. Num momento de êxtase e quase semelhante a um contexto sobrenatural, o Xamã questiona-o:
Xamã - Queres libertar essas memórias que te causam
sofrimento e dor?
Ricardo - Não sei. Aquilo que me
aconteceu, não vai deixar de existir.
Xamã - Não, não posso apagar o que
aconteceu na realidade, mas posso apagar essas memórias.
Ricardo – Para quê?
Xamã - Se te livrares dessas memórias não
achas que viverás mais feliz?
Ricardo - Não.
Xamã - Não?
Nesse momento refletiu. Dentro dele e
apesar dessa dura pena de ter uma doença crónica sentiu que as vivências, as memórias, a dor, fazem parte
da sua estória, do que é hoje, da sua individualidade. Recordam-lhe, a cada
manhã, que tem conseguido contornar momentos difíceis. Reforça a sua capacidade
de lutar, para manter uma vida comum e a sua atitude positiva é fundamental
para relativizar o "resto". Fez uma catarse, "não quero
desprender-me destas memórias".
Ricardo - Eu preciso das memórias da doença, todas. Fazem
lembrar-me de que afinal, sou forte, perseverante, lutador e positivo. Dão
significado à minha vida. São a minha estória.
Xamã – Mas, também, são compostas de
tristeza e lembram sofrimento.
Ricardo - MAS SÃO MINHAS!
Há, segundos prolongados
que nos remetem à integração forçada de acontecimentos involuntários. Uma
eternidade que nos traz à memória sentimentos de ansiedade, medo, angústia,
desnorte emocional e físico.
Esta tomada de consciência recorda-nos o
que nos marca e marcou emocionalmente.
Fotografia: Lagoa do Fogo|S. Miguel| Açores
Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
Consultório:
Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87,
Lisboa
Contatos: 916088364 / 962657422
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