quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A Flor



Na doença crónica, além da dor, ansiedade, depressão, podem surgir também dificuldades psicossociais. 

A nível psicológico temos de nos adaptar e ajustar à doença. A nível social, temos de reajustar as atividades, os tempos livres e também os relacionamentos pessoais.

Quando se adoece deparamo-nos com duas batalhas de desconhecimento. O nosso e o dos outros. O nosso, vamos mitigando através da adaptação. Vamos interiorizando com aquilo que aprendemos com a experiência pessoal e dos profissionais de saúde. O desconhecimento dos outros não é controlável por nós, não têm o nosso problema e não sentem o que nós sentimos.

Por vezes, a nível social, temos dificuldade em fazer o que os outros fazem. Tendemos a projetar as nossas expectativas no outro. Deste modo, idealizamos e antecipamos uma reação para cada situação. Quando, por qualquer motivo, as situações não acontecem conforme as idealizamos, sentimo-nos frustrados. Temos dificuldade em entender a unicidade e imprevisibilidade de cada um. Porque somos seres distintos uns dos outros. 

Neste desengano corremos o risco de julgar e ser julgados.  

Na história, “O Principezinho” de Saint Exupéry, o príncipe procurava cativar amizades. O critério de ser-se único no mundo, significava que nenhum "laço" era igual ao outro. Para fazer amigos teria de conhecer muitas coisas.  Ser paciente e a cada dia sentir-se mais perto, mais feliz, preparar o coração, encetar rituais. O principezinho visitou vários planetas. Num deles, ao atravessar o deserto, encontrou apenas uma flor. Ao perguntar-lhe onde estavam os homens, a formosa respondeu que só existiam seis ou sete. Avistara-os há uns anos, mas era-lhe difícil saber onde se encontravam, pois não tinham raízes e o vento empurrava-os de um lado para o outro. Esta foi a resposta da flor, pois tinha avistado o passar de uma caravana. Foi aquilo que presenciou. O conhecimento de quem está fixado num sítio e só vê o que os olhos alcançam. A sua realidade.

Na maioria das vezes, os outros desconhecem a nossa condição de doente. Cada um vive consoante aquilo que apreende e sente. 

Por vezes, as pessoas não prestam atenção a novas verdades. Porque andam distraídas. Porque estão muito focadas nas suas vidas. Porque têm medo.

Para conhecermos o outro, temos de ir às nossas fronteiras. Sair da nossa zona de conforto.
João dos Santos (1913-1987), psiquiatra e criador da moderna saúde mental infantil em Portugal, considerava que “ninguém ensina nada a ninguém, as pessoas é que aprendem”. E o problema, é que as pessoas só aprendem o que estão preparadas para aprender.

A inteligência ou a afetividade, qual delas tem mais peso? Há pessoas mais racionais e outras mais afetivas. Mas a afetividade é o motor da inteligência. Até Piaget (1896-1980), epistemólogo suíço, um dos maiores estudiosos das origens da cognição o admitiu. 

E, às vezes, as emoções são como a “sujidade nas lentes”. Estamos próximos afetivamente e isso poderá impedir-nos de racionalmente “vermos” a realidade dos outros.

Somos responsáveis pelo tempo de afeto, de dedicação, de compaixão, mas também de racionalização e compreensão.

No decurso da vida, podemos aprender por experiência pessoal ou através do exemplo das pessoas com quem nos “cruzamos”. Então, devemos “agarrar” tudo o que os outros nos transmitem e com isso podemos crescer e amadurecer intelectual e emocionalmente.

Tudo pode fazer sentido - depende da forma como vês.


Por: Maria Aires e Sofia Moreira

Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
   
Consultório: Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87, Lisboa
 
Contatos: 916088364 / 962657422


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