terça-feira, 24 de outubro de 2017

O Compromisso



Quando se tem uma doença crónica, existem períodos relativamente estáveis e fases em que o doente se sente pior. Nestas fases, as tarefas, diárias e simples, por vezes parecem enormes obstáculos, quer física quer psicologicamente.

O banho, atividade diária que evita o surgimento de determinados desconfortos. Desobstrui os poros, permite que a pele respire de forma adequada e ainda proporciona um aroma agradável ao corpo o que facilita o convívio social.

As aves adoram tomar banho. Os canários, por exemplo, na maior parte dos casos, só não tomam banho (tendo à sua frente uma banheira cheia de água), quando estão doentes!

Fazer a cama, tarefa simples e quotidiana mas, por vezes, difícil…
Nas fases em que o doente se sente pior poderá não ter “força” para fazer a sua cama. Então esta poderá ser utilizada não apenas para dormir mas também para “estar lá”.   E mesmo não estando lá deitado, só o facto de não estar feita poderá ser um obstáculo ao “arrancar” do dia.

Há coisas, aparentemente simples ou não, que nos fazem dar a volta. Que nos agarram à vida e ao prazer de viver, mesmo que pareçam tarefas insípidas e nada relevantes. Engano. São importantes. São uma espécie de viragem, como uma missão que conseguimos cumprir. Venha a próxima.

O banho faz-nos "acordar". O contacto com a água despe-nos da "sombra" e reforça o sentimento de revitalização.

Fazer a cama, é conforto, é alma que desperta. É ter esperança, ao final do dia, de nos deitarmos nuns lençóis suaves e cheirosos, como o nosso desejo que a vida seja transparente, sem muitos tormentos e aromatizada.

Vinculamos rituais que nos devolvem o bem-estar e que são facilitadores das tarefas do dia-a-dia. Pode parecer inócuo, mas é garantido que nos renova e nos aplica uma dose de vitalidade.
Um pingo de água que escorre pelo cabelo. Refresca, acalma, revigora.

Olhar para a nossa cama feita, olhar para mais um dia que aí vem.

Estou a pé e estou pronto, para a minha luta diária…porque eu hoje tomei banho e fiz a minha cama.


 Por: Maria Aires e Sofia Moreira

Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
   
Consultório: Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87, Lisboa
 
Contatos: 916088364 / 962657422

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