quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A Lâmpada



Apesar de toda a medicação existente, ainda assim, por vezes é necessário recorrer à cirurgia.

Sentimo-nos mal e procuramos o Hospital para ficar melhor, mas quando estamos internados à espera de ser operados, absorvemos o silêncio e sozinhos pensamos “quem me dera estar deitado no meu sofá ou no aconchego da minha cama”. Quando surge um momento em que algo verdadeiramente importante acontece, lutamos com todas as nossas forças e percebemos aquilo que realmente interessa.

Hospital, o lugar para onde corremos e de onde fugimos.

Ricardo foi submetido a uma cirurgia. Quando estava deitado na cama do Hospital resolveu levantar-se e dar uma volta pois precisava espairecer a cabeça. No corredor da enfermaria estava um armário com variado material hospitalar antigo (objectos que relembram a evolução do homem com a Medicina). No meio daquele material estava uma lâmpada. Por curiosidade, Ricardo pegou nela e para seu grande espanto surge em seu redor um ambiente cénico e mágico. Esvoaçante e bela, vê e ouve uma bonita mulher que lhe diz ser a Génia da Lâmpada Mágica!

Ricardo olhou para ela e perguntou-lhe:

Ricardo – Sempre viveste aqui?
Génia – Sim passo anos dentro da lâmpada e quando alguém como tu me descobre concedo-lhe um desejo.
Ricardo – Não deve ser muito agradável passar tanto tempo aí dentro e só sair de vez em quando.
Génia – Não. Mas é o meu destino.
Ricardo – Se pudesses ter outra escolha, o que desejarias?
Génia – Gostava de espreitar as cores, os sons, os sabores dos dias. Estar à beira rio sentada, com óculos de sol e chapéu a absorver a paisagem e a sentir-me livre. Mas agora pede o desejo pois pode aparecer alguém. Como estás à espera de ser operado já sei que vais pedir que tudo corra bem. É o que todos pedem.

Naquele momento pediu o desejo que tinha direito e regressou à cama para descansar. Foi operado, correu bem e alguns dias depois teve alta.

Há na vida cicatrizes escondidas que nos deixam avançar.

Não podemos resolver tudo e há coisas que temos de colocar nas mãos de outras pessoas ou dos Deuses. Confiamos nos Médicos e na evolução da Medicina, mas também temos as nossas crenças e fé. 

Na viagem de regresso a casa, ao conforto do lar, sentado no banco traseiro do carro, Ricardo viu a Génia à beira rio sentada com óculos de sol e chapéu a absorver a paisagem.

No fundo, não interessa o que pensamos ou sentimos mas … o que fazemos.











Por: Maria Aires e Sofia Moreira

Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
   
Consultório: Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87, Lisboa
 
Contatos: 916088364 / 962657422

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O Grito



Para a doença crónica existem medicamentos que têm de ser tomados todos os dias, a horas certas, obrigando a uma disciplina rigorosa. É importante seguir o aconselhamento médico e o tratamento clínico para um bom prognóstico.


Há histórias de Portugal com outros Países que me servem de inspiração. A Independência do Brasil, por exemplo, foi marcada por um episódio muito curioso. Em 1807 Portugal foi invadido pelas tropas de Napoleão. O Rei D. João VI partiu com a família e com a Corte Portuguesa para o Brasil e deixou o País ao governo de uma regência. Após alguns anos no Brasil, D. João VI regressa a Portugal para resolver problemas de revoltas e incumbe D. Pedro, seu filho, como Regente. Entretanto, o Brasil perde privilégios que já havia adquirido, como por exemplo, a categoria de Reino para voltar a ser uma Colónia, situação que não agrada a alguns portugueses lá residentes. No início de 1822, a Corte Portuguesa envia uma carta a D. Pedro, pedindo o seu regresso a Portugal mas este rejeitou. No dia 7 de Setembro do mesmo ano, D. Pedro recebe uma outra carta a qual mencionava que os seus poderes como Regente tinham sido anulados e referia novamente que deveria regressar a Portugal. A Corte preparava uma ação militar contra o Brasil. Nesse dia, D. Pedro estava na zona de São Paulo junto ao Rio Ipiranga. Após ter lido a carta mostrou a sua indignação e força. 


Montado no seu cavalo e de espada na mão, junto às margens do rio Ipiranga gritou: Independência ou Morte!


Este episódio ficou conhecido como a Revolta ou o Grito do Ipiranga e em Dezembro de 1822 D. Pedro foi declarado Primeiro Imperador do Brasil. Marcou a sua independência mas Portugal só a reconheceu três anos mais tarde. 


Tal como D. Pedro gritou, também eu grito! Posso ser dependente em relação à medicação, mas isso proporciona-me independência física no meu quotidiano.


Para termos êxito não devemos perder o controlo sobre os nossos aliados.


Efeitos secundários todos os medicamentos têm. Uns mais do que outros. Mas quando temos que tomar medicação para poder viver, enfrentar o dia, trabalhar, passear, estar com a família e com quem mais gostamos, fazer desporto – TOMAMOS!


Há na vida momentos em que sentimos frio. Alguém aparece para nos aquecer.


Quando nos desalinhamos há que procurar diminuir o mal estar que nos enfraquece. Para isso serve a medicação de rotina e a de SOS. Cumpri-la sempre, criteriosamente.


Passa o tempo, desenrola-se o corpo mais alinhavado, menos contido, mais, muito mais aliviado. Como uma rosa dos ventos afinada. Um pedaço de nós que se concentra e se repara.


Os nossos dias poderão ser constantes Batalhas. A toma da Medicação, ajuda-nos na Vitória, porque a única coisa que queremos…é estar aqui!


Por: Maria Aires e Sofia Moreira

Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
   
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O Triângulo


A dor é um fenómeno inerente a quem tem uma doença crónica. É diária e de grau de intensidade variável. Também pode ter um efeito útil, quando surge como sinal de alarme de lesão iminente. Reflete uma experiência física, sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial.


Há um lugar no Oceano Atlântico que se estende desde a Flórida (sul da costa norte-americana), passa pelas Bahamas, Bermudas até Porto Rico. Esta zona forma um triângulo muito famoso - o Triângulo das Bermudas. Um pedaço do Atlântico onde navios e aviões costumavam desaparecer sem deixar rasto. 


 Em 1840, Rosalie, embarcação francesa que tinha como destino Cuba, foi encontrada à deriva de velas içadas e carga intata. Este navio comercial não desapareceu mas os seus tripulantes nunca foram encontrados. Em 1880, Atalanta, fragata da Marinha Inglesa, saiu das Bermudas. O seu destino era Inglaterra mas desapareceu com 290 pessoas a bordo. Apesar das inúmeras buscas, nunca foi encontrada.


Em 1945 cinco aviões bombardeiros da Marinha dos Estados Unidos, modelo Avenger, voo 19, descolaram da base aérea na Flórida para um treino de rotina. Os pilotos estariam a voar entre as Bahamas e a Flórida mas o líder do esquadrão anunciava que a bússola estava a falhar e que desconhecia a sua posição. Vários navios e aviões procuraram os homens do voo 19, conhecidos como o “Esquadrão Perdido”- mas estes nunca foram encontrados.


Estes fenómenos ocorrem nesta região devido ao campo magnético da Terra. Surgem muitas teorias que tentam explicar o mistério dos aviões, barcos de passeio e navios desaparecidos. Para os escritores de fantasia estes fenómenos enquadram-se em teorias sobre extraterrestres, resíduos de cristais da Atlântida ou vórtices da quarta dimensão. Os mais técnicos baseiam-se em teorias sobre campos magnéticos estranhos ou gás metano situado no fundo do oceano. Para os mais céticos as origens poderão ser causas humanas ou naturais, como ondas, correntes, tempestades, furacões, tsunamis e terremotos.


Tal como a minha dor. Quem pode, de facto, entendê-la?


O todo que somos. O todo que nos causa dor, física e emocional. Queixas sofríveis, com desalento, desconforto. Condicionados por sintomas variados e pelo carácter crónico do mal que nos invadiu.

A alegria é um sentimento universal. A dor é individual, íntima, muito própria. É sempre subjetiva e pode ter intensidades diferentes ao longo do dia. 


Por vezes, o que temos não é bem o que queremos, mas podemos passar a vida dominados pelas dores ou aprender e tentar controlá-las! Há medicação e ajuda psicoterapêutica que nos podem ajudar no alívio da dor.


A alma dói. E o corpo também pode doer e muito. Num frenesim de dores agudas, fortes, potentes. Como se entrássemos noutra dimensão. Num triângulo de dor que só nós sentimos…



Por: Maria Aires e Sofia Moreira

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