segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A Cabra da Montanha



Na vivência de uma doença crónica um dos fatores fundamentais é a adaptação à doença para uma vida com qualidade. Para nos ajustarmos à doença devemos alterar os estilos de vida. Torna-se essencial mudar alguns comportamentos, pesquisar alternativas, programar atividades e fazer uma reestruturação dos pensamentos.


Por vezes, quando temos um problema crónico, só queremos encontrar um lugar onde possamos esconder-nos. O Alentejo ou Trás-os-Montes poderiam ser um bom lugar. Queremos ir e começar tudo de novo. Mas nem tudo é possível e há coisas que não podemos mudar, por mais que queiramos. Esse lugar será sempre esse lugar. Não podemos esconder-nos de nós próprios. Onde quer que vamos levaremos sempre connosco os nossos problemas.


No Alentejo, concelho de Mértola, existem as Minas de São Domingos. A exploração moderna da mina começou em 1858 e durou até 1965 data do seu encerramento. A mina deu origem à aldeia com o mesmo nome e foi a primeira do país a ter luz elétrica. Na mina, já extinta, existe um lago com líquido corrosivo. Ao cimo desse lago numa montanha rochosa duas cabras saltam de rocha em rocha, dando a sensação que a qualquer momento podem cair dentro do líquido... Mas nunca caem! Sempre compostas e elegantes em cada salto.


Em Covas do Monte, pequena aldeia da Serra de São Macário, em São Pedro do Sul existem 2500 cabras que todos os dias de manhã saem para a montanha. No final da tarde, regressam à aldeia. As cabras sabem de cor o seu curral. Este ritual envolve toda a povoação de 56 habitantes. 


A vida impele-nos a rituais. Ora desejados e prazerosos, ora indesejados e enfadonhos.Também eu no meu ritual matutino vou com prazer ou com enfado, tem dias!
   
Sei de cor o caminho de ida e desejo que o pé nunca encalhe na pedra errada no meu regresso vespertino. Ando, corro, salto, subo, desço, combato todas as pedras e rochas que aparecem no caminho. Mas não caio!


E vou caminhando, acompanhado e isso...é um ritual que não abdico! A presença das pessoas importantes na subida e na descida da montanha.


Procuramos um abrigo, um sítio onde possamos ser nós próprios…porque fugir, não leva ninguém a lado nenhum.

Por: Maria Aires e Sofia Moreira

Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
   
Consultório: Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87, Lisboa
 
Contatos: 916088364 / 962657422

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