A ansiedade está intimamente vinculada à forma como
interpretamos as situações de vida e que não se distanciam quando temos uma
doença crónica, pelo contrário, agudizam-se.
Aquilo que poderia ser
vivido num contexto prazeroso torna-se numa checklist
antecipada. Por exemplo, quando viajamos. No caso do doente crónico, não
basta uma mala de roupa e produtos de higiene. Há necessidade de aprovisionar a
medicação suficiente. Ter o cuidado de mantê-la em condições e de não a perder
durante a viagem.
Alguma informação clínica e pesquisa sobre os serviços de saúde
disponíveis no nosso destino poderá incutir-nos mais confiança e, por certo,
aproveitaremos com mais bem-estar.
Gosto muito de viajar. Conhecer cidades, praias, climas,
pessoas, culturas, formas de estar e de sentir diferentes da minha. Faz-me
evoluir.
A viagem mais marcante foi a Salvador, no Brasil. País abençoado
de clima quente, gente fogosa e boa comida. Contudo, quando se tem um problema de
saúde – com limitações na alimentação - convém comer com moderação.
Fui com uma amiga. Salvador é uma cidade lindíssima. Muito
mística, com as Mães de Santo. O Dique do Tororó, único manancial natural de
Salvador e os seus Orixás, figuras ancestrais africanas que correspondem a
forças da natureza.
Nesta estadia no Brasil fomos também uns dias ao Morro de São
Paulo. Ilha que fica sensivelmente a três horas de barco de Salvador. Martim
Afonso de Sousa, militar português desembarcou nesta ilha em 1531 durante o
período colonial brasileiro.
É uma Ilha ainda em estado “virgem”. Praias desertas de areia
branca, palmeiras generosas e água quente. Tem locais rústicos e calorosos para
pernoitar. Alguns restaurantes, um posto de turismo, outro de primeiros
socorros e toda uma ilha para desfrutar.
Eu queria usufruir de tudo mas o meu primeiro pensamento foi –
“E se me sinto mal? Estou longe de Salvador”.
Se tinha tanta certeza para onde ia, porque
fiquei tão perdido?
Verbalizei os receios à minha amiga. Conversando, tentou
tranquilizar-me. Procurei descontrair mas, estes pensamentos acompanhavam-me.
No primeiro passeio na ilha, fomos de barco até uma praia
paradisíaca que tinha árvores de caju. A bordo fizemos amizade com dois irmãos,
um rapaz e uma rapariga. Na praia, dentro de água, a relaxar, tinha a meu lado
a rapariga que acabara de conhecer. Durante a nossa conversa, por curiosidade,
perguntei-lhe qual era a sua profissão. Respondeu-me que era Médica!
Naquele momento olhei para o céu e sosseguei pois, às vezes, ansiamos por algo que nos tranquilize e vem
sobre esta forma.
Num destino para além Atlântico fui abençoado. Naquele momento,
senti que o mundo suspirava comigo, para mim. A presença, a mão e sabedoria de
alguém faz a diferença positiva. Não há coincidências e regozijo-me por ser
digno desta fé.
Contei-lhe sobre o meu problema e falámos um
pouco sobre o assunto. No dia seguinte, conhecemos outro casal também muito
acolhedor. Os dias passados foram sempre na companhia destas pessoas afáveis.
Tudo correu bem. Tive uma estadia inesquecível.
Foi bom ter viajado, ter-me aventurado
em alto mar. Às vezes, vivemos numa prisão construída por
nós.
Há dias que não se repetem. Quando deixámos a ilha, os nossos amigos
ainda ficaram. O Catamaran partiu e
eles estavam no cais. À medida que me distanciava, olhei-os e acenei com a mão.
Com os olhos humedecidos despedi-me com a certeza de que nunca mais os veria.
Sim, é bom viajar! Não só para vermos coisas novas mas, também,
para trazê-las para casa e partilhá-las com quem amamos.
Os barcos ficam seguros no
cais, mas não é para isso que são construídos.
Fui feliz numa viagem para um destino. Vim feliz com o coração
cheio de maresia e saudade com uma parte
do mundo impressa em mim.
Às vezes, pensamos que estamos longe de casa,
mas afinal estamos longe de nós próprios.
Por: Maria Aires e Sofia Moreira
Através de Técnicas comportamentais - cognitivas e Psicodrama pretende-se ajudar o doente no seu processo de lidar com a doença para que se torne mais Autónomo, com melhoria da Auto-estima e, consequentemente, da Qualidade de Vida.
Consultório:
Latino Coelho 87, (Quintas-feiras das 13h às 18h) – Rua Latino Coelho 87,
Lisboa

Gosto muito de viajar com a vossa escrita. Vocês são brutais. Obrigada! 😘
ResponderEliminar❤🌻💐❤🌻💐❤🌻💐 és linda!!!
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